sábado, 19 de julho de 2014

Fases da Silvicultura no Brasil


A expansão da silvicultura no Brasil apresenta três fases. A primeira fase correspondeu ao período que vai do descobrimento do Brasil até o início dos incentivos fiscais concedidos ao reflorestamento/florestamento, período de 1500 a 1965. A segunda fase abrangeu o período de vigência dos incentivos fiscais ao reflorestamento/florestamento, 1966 a 1988. A terceira fase cobre o período pós-incentivos fiscais ao reflorestamento/florestamento, ou seja, de 1989 até hoje.

Primeira Fase (1500 a 1965)
Quando o Brasil foi descoberto, iniciou-se um processo de destruição de suas matas nativas devido à atividade florestal instalada através da exploração do pau-brasil, que por muitos anos foi a principal atividade econômica do país. Durante todo esse período a nação assistiu, com relativa passividade, a esse processo. Tudo o que foi feito em termos de plantio e reconstituição do nosso patrimônio florestal foi sempre muito pouco significativo diante do que tínhamos em termos de desmatamento.
Até o início dos incentivos fiscais ao florestamento e reflorestamento, aprovado em 1965 e iniciado em 1966, tínhamos uma atividade florestal extrativista, nômade, que se caracterizava como antecessora de grandes ciclos econômicos nacionais, como foram os casos, por exemplo, do café, da cana-de-açúcar e da própria pecuária.


 Segunda Fase (1966 a 1988)

Com o início dos incentivos fiscais ao reflorestamento, passamos para outra fase na evolução da silvicultura brasileira. Nesta fase, houve o aumento da atividade empresarial na silvicultura, o aumento do número de profissionais vinculados à silvicultura, grande evolução da ciência florestal e grande crescimento da área reflorestada no Brasil.
     Na década de 60, quando o setor florestal passou a ser tratado com maior atenção, houve a criação do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, IBDF; houve o surgimento das primeiras escolas de Engenharia Florestal no Brasil; e, houve a implementação de facilidades fiscais que tornaram o reflorestamento uma operação de larga escala.
   Os incentivos fiscais ao reflorestamento/florestamento consistiam em uma pessoa física ou jurídica abater de sua renda tributável ou do imposto de renda a pagar, respectivamente, parcelas que seriam destinadas a projetos de reflorestamento/florestamento. Estes projetos poderiam pertencer à própria pessoa optante do desconto do imposto de renda (caso dos projetos próprios) ou serem projetos de propriedade de terceiros (projetos comuns) dos quais o contribuinte-optante recebia títulos de participação (como o Certificado de Participação em Reflorestamento).
   Com a criação do Programa de Incentivos Fiscais ao Florestamento e Reflorestamento, percebemos que houve, a partir de 1967, uma grande expansão da área reflorestada no Brasil, que saltou de quase 500 mil hectares em 1964 para 5,9 milhões de hectares em 1984.

Terceira Fase (1989 a dias atuais)

Com o fim dos incentivos fiscais concedidos ao reflorestamento/florestamento teve início a terceira fase na evolução da silvicultura brasileira. Neste período, as grandes empresas consumidoras de matéria-prima florestal dedicaram-se a reorganizar os seus maciços florestais objetivando reduzir custos e incrementaram, com o apoio de governos estaduais, programas de incentivo ao reflorestamento em pequenos e médios imóveis rurais.
As grandes firmas consumidoras de matéria-prima florestal, principalmente as das indústrias de papel e celulose e da indústria siderúrgica a carvão vegetal, ampliaram sua área reflorestada/florestada com recursos próprios ou tomando empréstimos de longo prazo em bancos de fomento estaduais ou federais.
A partir do início da terceira fase da evolução da silvicultura brasileira, percebemos o início da estruturação de um novo modelo de desenvolvimento da silvicultura. Entre as possíveis características desse novo modelo, podemos citar: a valorização de aspectos como pesquisa e desenvolvimento tecnológico visando a reduções nos custos de produção e melhorias nos níveis de produtividade os quais proporcionariam uma maior competitividade no mercado; e, a descentralização da atividade silvicultora (através, por exemplo, de um maior envolvimento de segmentos da estrutura de poder local e participação de sistemas cooperativos) por meio de programas com o objetivo de apoiar a realização de reflorestamento/florestamento em pequenos e médios imóveis rurais.


Esse post foi um pouco da história da Silvicultura em nosso país! Deixo aqui uma música para uma reflexão consciente: [...] não deixe morrer a mãe natureza...




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